Enquanto o país para pra falar de futebol — se o Brasil finalmente vai levantar o hexa, que horas começa o jogo amanhã, ou se Neymar vai ou não entrar em campo — uma outra realidade corre em silêncio nos corredores das empresas: milhares de trabalhadores adoecem todos os anos por causa do ambiente de trabalho. Segundo dados do INSS, só em 2023 foram mais de 250 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, classificados sob o CID-10 da família F — que inclui depressão, ansiedade, síndrome de burnout, transtorno de estresse e outros quadros psiquiátricos relacionados ao trabalho. O futebol como espelho da distração coletiva Não há nada de errado em torcer, sonhar e se emocionar com o futebol. O problema é quando o esporte, que une o país, também serve como cortina de fumaça para questões estruturais que afetam a vida de milhões. Enquanto a conversa gira em torno do time, do técnico ou do craque da vez, o adoecimento mental no trabalho segue invisível — até que alguém da família, um amigo ou o próprio leitor precise se afastar por não aguentar mais. Os números não mentem Transtornos mentais já são a 3ª maior causa de afastamento do trabalho no Brasil O CID F — especialmente F32 (episódios depressivos) e F41 (transtornos de ansiedade) — lidera os pedidos de benefício por incapacidade Burnout, reconhecida pela OMS como doença ocupacional, cresce entre profissionais de todos os setores Quem paga a conta? O trabalhador paga com a própria saúde. A empresa paga com queda de produtividade, rotatividade e processos trabalhistas. A sociedade paga com o custo previdenciário e com a perda de potencial humano. E, enquanto isso, muitas empresas continuam tratando saúde mental como “assunto de RH” ou “problema individual”, em vez de reconhecer o papel do ambiente, da liderança e da cultura organizacional no adoecimento. O que precisa mudar Saúde mental não é frescura nem “falta de fé” É doença, tem CID, tem tratamento e precisa de acolhimento. Prevenção é mais barato que remédio Investir em canal de denúncia, gestão de RH, NR 1 e plano de ação reduz afastamentos e conflitos. Canal de denúncia não é só para corrupção É também para ouvir quem está sofrendo com assédio, pressão excessiva e ambiente tóxico. A empresa tem responsabilidade Não basta oferecer frases motivacionais. É preciso mudar práticas, metas abusivas, liderança tóxica e falta de escuta. Enquanto o jogo não começa, a vida acontece O futebol une, mas também distrai. Antes de perguntar quem vai jogar amanhã, talvez seja hora de olhar ao redor e se perguntar: Quantos colegas já adoeceram no seu ambiente de trabalho? Quantos pediram afastamento com CID F? E o que a sua empresa está fazendo — de verdade — para mudar isso? Se sua empresa quer sair do discurso e agir, a SOS Corporativa pode ajudar com: Implantação e gestão de canal de denúncia Estruturação de processos de compliance Apoio à NR 1 e plano de ação Treinamentos e palestras sobre saúde mental Porque uma empresa saudável precisa de pessoas saudáveis — e esse jogo, diferente do futebol, não pode ser jogado só na torcida.